domingo, 13 de outubro de 2013

Eu já Passei. Entrevista com Robnei Stefanes.

Bom Domingo Galera, 
É com prazer que anuncio a Entrevista com o Robnei. O cara além de concurseiro já é professor de cursinho. O cara tem muita experiência. Vamos a entrevista. 

Entrevistado da Semana: Robnei Stefanes. 

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  Olá Robnei. Conte um pouco sobre sua vida?
Olá, Lucas e pessoal do blog Resumos para Concursos! Primeiro, é um prazer trocar um pouco dessa experiência, ainda vivida, nesse mundo de estudo para concursos. Tenho 26 anos, graduado em Administração e especialista em Metodologia Científica, recheado de amigos dos diversos caminhos que escolhi até chegar onde estou, sem esquecer a parceria de uma família mais que especial. Foram muitos caminhos até chegar aqui, apesar da idade. Comecei a trabalhar desde cedo, aos 12 anos, enquanto dividia o tempo com um turno de estudos, outro de trabalho. Na faculdade, aos 17 anos, passei a trabalhar em tempo integral e conciliar trabalhos, apresentações, artigos, provas etc. Até essa época minha faixa salarial era de R$ 200 mensal, baita sacrifício para ter minhas coisas, mas devagar, tudo dava certo no momento certo.
Na época de faculdade comecei a esboçar esforços para estudar para concursos, mas só foi o tempo de ter contato com algumas matérias de Direito, pois o tempo não era tão amigo assim. Após me formar na faculdade, passei a lecionar em cursos técnicos e iniciei a especialização em educação. As coisas começaram a melhorar, já não precisava voltar andando para casa quando terminavam minhas aulas, a grana já era suficiente. Mas nem sempre o trabalho era certo. Dois meses eram bons, quatro eram péssimos. Enquanto vivia essa maré, fui alimentando expectativas de me mudar e trabalhar fora. Quando terminei a especialização, surgiu uma proposta para trabalhar na África. Isso mesmo, lá do outro lado do oceano. Encarei e morei 10 meses em Luanda, Angola. Trabalhava como Gestor Administrativo Financeiro em uma rede de comércio e indústria de panificação e pastelaria. Os turnos eram de 10 a 12 horas. Lá tive a oportunidade de amadurecer aspectos importantes na vida de uma pessoa, social, cultural e profissional, e o choque de realidade e confronto da riqueza exacerbada com a pobreza discriminada.
Para o Brasil retornei, mas já não era a mesma coisa. Ficar fora do mercado de trabalho e querer voltar para ele, não era uma tarefa simples. Depois de muitas entrevistas, provas de seleção, fases e mais fases em empresas privadas, e nada de trabalho. Foi quando resolvi abrir meu negócio, que não deu muito certo também. E lá estava eu, mais uma vez, sem saber o que fazer. O tempo passando, já com 25 anos. Pensei: se não me chamam para trabalhar por bem, vou obrigá-los a me chamar. Vou estudar para concursos! E assim iniciei os estudos em outubro de 2012. A confiança que logo ia dar tudo certo junto com a inexperiência em concurso público rendeu alguns resultados bem rápido mesmo: comprei um material muito ruim, perdia tempo estudando textos desatualizados, não fazia questões, não planejava e nem hora eu tinha para iniciar e parar os estudos. Fui percebendo os desvios negativos, passei a ler mais sobre preparação, passei a ver vídeos de pessoas que obtiveram êxito em concursos e fui adaptando à medida que tudo ficasse com a minha cara, para que eu não enjoasse e abandonasse mais uma escolha de projeto de vida.
Passei a ter atenção em fatores que poucos se importavam, como planejamento de horário, alimentação, conciliar o plural de disciplinas, estilo de estudo para cada uma, sistematização de resumos, resolução de questões e grupos de estudos, que eu mesmo organizava. Uma forma de me manter estudando e atualizado, pois separava resumos e questões atuais da banca que ia realizar nossa prova. Mas, nem tudo é tão fácil assim, lembrando, que sem trabalho, sem grana. Daí entra o apoio fenomenal da minha família, em especial do meu pai, João, que com grande sacrifício me apóia muito, até hoje, vibrando com todas as aprovações que tive. Mais ainda, ontem à noite, vibramos muito, com o email que recebi do RH Geral do IBAMA para preencher o currículo e me adiantar quanto aos exames admissionais. Isso, depois de tudo, porque eu tinha obrigado eles a me chamar. Demorou, mas chegou!

Desde o início dos estudos você sempre teve um foco ou foi descobrindo aos poucos?
O foco inicial era entrar, não importava onde. Era passar e ser chamado. Mas, depois de um ano de estudo e vivendo concurso público intensamente, você começa a perceber que é preciso ter um foco. Fazer todos os concursos não é a estratégia mais viável. Tenho muita vontade de exercer minha graduação no serviço público, que é Administração, trabalhar em gestão e organização. Enfim, descobri duas coisas: que posso ter um objetivo e um sonho. Aquele, trabalhar na Administração Fazendária, especificamente na Receita Federal; enquanto este, a paixão de aproximar as pessoas nesse meio de concurso e participar do sonho de cada um. Então é um passo de cada vez: primeiro, o objetivo; depois, o sonho.
Quais foram suas maiores dificuldades quanto ao estudo?
São muitos, não conseguirei lembrar todos. Tive que acostumar minha família com essa rotina, só entenderam de verdade depois da primeira aprovação. Os amigos que achavam que eu tinha mais tempo livre porque não trabalhava. A desconfiança de algumas pessoas, pois pensavam que era uma forma de eu me escorar e não fazer nada. Cansaço, renúncia, dor, insônia, pressão própria, passar e não ser chamado (resultado só vem depois de um ano).
Como estudava? Quantas horas por dia? Fez algum cronograma?
Como falei, no início, era tudo errado. Não sabia onde procurar material, como ler edital, se fazia cursinho ou não. Depois que passei a planejar o tempo, ter os materiais certos e o que estudar adequadamente, percebi: cada concurso é uma preparação diferente. Mas em suma, duas matérias por dia. Estudo cada uma em um período de quatro horas, tirando, pelo menos, 1:30 a 02 horas líquidas. Mas já cheguei a estudar 12 horas diárias. Não aconselho tempos longos. Já adoeci para a prova que mais me preparei, e não a fiz, me deixando pior ainda que a própria doença.
Uso SEMPRE um cronograma, é meu guia e me sinto mais confortável riscando aquilo que já estudei. Serve para me adiantar quanto às surpresas que podem surgir. Como hoje trabalho em cursinhos, então meu cronograma é mais flexível e procuro sempre compensar os dias que não consigo estudar.
Como recebeu a notícia da aprovação?
Cada aprovação é especial de uma forma, pois em cada preparação são desafios renovados. Mas a primeira... Ah! A primeira, essa foi incrível. O resultado final atrasou dois dias. E no terceiro dia saiu às 10 horas da manhã, depois de nem ter dormindo direito. Ver o nome lá no meio dos aprovados... É incrível! É a resposta que você precisa para saber que a renúncia diária deu resultado e esse é o caminho certo. Maravilhoso!!!
Continua na luta por alguma outra vaga ou pretende parar por aqui?
Eu entrei nisso agora, só comecei. Quero ser Auditor Fiscal da Receita Federal. É muito? Não! Maior ainda é fazer parte do sonho de cada um. Aí sim, tenho certeza que nunca vou parar. Na fila sempre tem gente nova.
Deixe um recado para a galera do blog?
Não há dor que dure para sempre. Estudar tem que ter dor, porque assim você perceberá o que é bom e o que realmente vale a pena. A dor é caminho, é a força que preenche as lacunas entre sonho e a realidade/concretização. O segredo é fazer o simples, o básico. A maioria só inicia, e a vitória só virá com a persistência e experiência com as derrotas. Aproxime-se dessa vida intensamente, conviva com as pessoas que vivem isso todo dia. Essa história de vida solitária de estudo, renove! Há muitas pessoas que param porque não há onde se apoiar. A força também vem do próximo, na ajuda e na necessidade. Força sempre! Se começou, já é um vencedor. Agora é só fazer o básico. Seu lugar está reservado! Forte abraço, pessoal!

Queria agradecer ao Robnei pela entrevista. E ela é um cara muito preparado e acima de tudo uma excelente pessoa. Semana que vem tem mais Galera. 

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A Luta Continua.  

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